Blackie, finalmente, pode viver seus últimos anos junto de seus semelhantes.

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Com quase 50 anos de idade, solitário, depois da morte de sua companheira, Rita, Black, pode passar seus últimos anos de vida junto de outros chimpanzés.

A história do chimpanzé Black bem poderia render um filme.

Ele, como os demais grandes primatas (Chimpanzés, Gorilas, Orangotangos e Bonobos) tem uma diferença ínfima de seu código genético para o nosso, em torno de 1%.

Somos, geneticamente, parentes muito próximos.

Isso nos faz tão parecidos do ponto de vista das relações sociais, dos hábitos e, talvez, até de expectativas.

Ao que se conhece de sua história, Black, junto de outros três chimpanzés, fazia números “artísticos” no circo Tihany. Apreendido pela polícia ambiental foi para o zoológico de Ribeirão Preto e, por conta de um tratamento relativo a uma picada de escorpião, veio parar no zoológico “Quinzinho de Barros”, de Sorocaba.

No “Quinzinho de Barros” ficou e lá vive por, mais ou menos, 40 anos. Boa parte deles em companhia de sua companheira, Rita.

Ela, porém, faleceu em 2011, e, desde então, Blackie vive solitário.

Sem qualquer representante de sua espécie para que possa trocar olhares, toques, abraços e vocalizações é, simplesmente, uma atração para o público de milhares de pessoas que visita, semanalmente, o zoológico de Sorocaba.

Quando da reforma de seu recinto, em 2004, viveu uma temporada no santuário dos grandes primatas, em Sorocaba. Naquele momento, houve uma tentativa, frustrada, para que ambos pudessem ficar em definitivo no santuário.

No ano passado, o filósofo e professor da universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Peter Singer, autor, dentre outras obras, do livro “Libertação Animal” – uma das grandes referências relativas ao desenvolvimento dos diversos movimentos em defesa dos direitos dos animais – escreveu uma carta ao prefeito de Sorocaba, Antônio Carlos Pannunzio, solicitando a transferência de Blackie para o santuário dos grandes primatas.

Reproduzo dois parágrafos da carta:

Os chimpanzés são uma espécie altamente gregária, e isso significa que Blackie precisa da comunhão com outros chimpanzés. Mas atualmente ele é privado dessa interação social, o que configura uma condição insalubre de cativeiro, semelhante ao confinamento solitário por um ser humano.

  Vários experimentos científicos provaram que os chimpanzés possuem alguns atributos mentais e emoções que são muito semelhantes à espécie humana e sua exposição pública. Expor nos jardins zoológicos e usar como um mero objeto de entretenimento humano é agora amplamente considerado eticamente inaceitável.

Então, eu, respeitosamente, quero pedir a sua concordância para que Blackie possa ser enviado para o Santuário, onde ele pode viver com vários outros membros de sua espécie, manifestando o seu comportamento social normal.

Apesar da importância mundial do trabalho realizado pelo santuário, sediado em Sorocaba, Pannunzio foi o único prefeito da cidade a visitar o local e atestar sua importância como referência sobre as melhores condições em que um grande primata pode viver em cativeiro – amplos espaços, socialização com seus semelhantes e ausência de intensas, barulhentas e sistemáticas visitações.

As conversas sobre a possível transferência de Blackie prosseguiram e, hoje, podemos comemorar um grande avanço com a manifestação de apoio do secretário de governo do prefeito de Sorocaba.

Basta, apenas, que o prefeito use sua caneta para que a sofrida história desse chimpanzé possa terminar de forma diferente daquela de sua companheira, Rita.

 

Para saber mais.

O Projeto GAP – Great Ape Project – http://www.projetogap.org.br/o-projeto-gap-historia/

O santuário de Sorocaba – http://www.projetogap.org.br/santuarios-afiliados/sorocaba/

Visita do prefeito de Sorocaba ao santuário – http://www.projetogap.org.br/noticia/prefeito-e-vice-prefeita-de-sorocaba-fazem-visita-tecnica-ao-santuario-de-grandes-primatas-do-gap/

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Sobre gabrielbitencourt

Professor, consultor socioambiental. Ex-vereador, ex-secretário de meio ambiente.
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2 respostas para Blackie, finalmente, pode viver seus últimos anos junto de seus semelhantes.

  1. gabrielasqrb disse:

    Que boa notícia, mas que história triste. Vamos torcer para que essa caneta seja mais ágil e ele não precise esperar ainda mais um ano para que possa finalmente ir para o Projeto GAP.

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